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Carros conectados: Como o analytics de dados viabiliza a inovação

A análise de dados revela padrões que podem ser usados pelos fabricantes para melhorar o carro conectado e a experiência do condutor e os passageiros

Que os novos veículos conectados transformarão radicalmente a experiência de dirigir ninguém duvida. O que talvez nem todo mundo saiba é que o enorme volume de dados gerados por esses veículos e os insights derivados desses dados transformarão também toda a cadeia da indústria de conectividade automotiva — montadoras, desenvolvedores de software, operadoras móveis, administradoras de rodovias, entre outras indústrias que compõem esse ecossistema.

O veículo conectado é, na verdade, um ambiente formado por um centro de comando e controle móveis, no qual motorista e carro (ou o carro sem motorista) podem se ajustar de forma proativa, até automática, às vicissitudes da estrada. Engarrafamentos em autoestradas, manobras de risco de veículos próximos, falhas mecânicas iminentes, ou uma série de outras ocorrências potenciais, podem ser antecipadas ou previstas pelos veículos conectados.

O carro passa a ser uma cápsula segura e aconchegante que permite ao motorista e ao passageiro acessar ou exercer controle sobre todas as coisas que a ela estiverem conectadas, desde um semáforo, mapas, displays de informação de estradas inteligentes até objetos e equipamentos de cidades inteiras, por exemplo. Ou seja, o veículo conectado muda tudo, e para melhor.

“Ele permite que eu saiba quando estou chegando a uma garagem e não apenas me diz quantas quadras restam, mas o que tem nesses quarteirões. Ele pode me informar se estou chegando a um sinal vermelho que ficará verde em alguns segundos”, explica Lonnie Miller, principal consultor de indústria do SAS Institute.

Miller explica que, com isso, mudamos de um cenário de risco potencial para uma direção inteligente e preventiva, que pode evitar acidentes. “Os veículos podem comunicar-se entre si e dizer ‘Ei, você está chegando perto demais, precisa ajustar a distância’.”

Potencial dos dados

Para o sucesso do veículo conectado é preciso unir uma quantidade enorme de pessoas, processos e tecnologias. Isso requer coordenação entre fabricantes de automóveis e de peças, empresas de entretenimento, serviços de informação e uma série de outros participantes.

As empresas vão precisar investir em novas tecnologias e novas infraestruturas tecnológicas, além de novos tipos de habilidades e conhecimentos. E, acima de tudo, ter capacidade de coletar, processar e analisar — ou seja, compreender — uma quantidade de dados sem precedentes.

Estima-se que um único carro conectado produza aproximadamente 25 gigabytes de dados por hora de uso. Isso equivale a cerca de 130 terabytes de dados por veículo por ano, o que equivale a 33 zettabytes de dados por ano para os 253 milhões de veículos leves somente nos Estados Unidos. Para colocar isso em perspectiva, a Cisco Systems, fabricante de equipamentos de redes, projeta que o tráfego IP total — inclusive de redes públicas e privadas — atingiria 2 zettabytes em 2019.

Com o tempo, a incorporação desses veículos no cenário alterará as projeções da Cisco em pelo menos uma ordem de magnitude — mais provavelmente, duas. No curto prazo, é claro, a adoção de veículos conectados será lenta e estável. No espaço de duas décadas, no entanto, a maioria dos carros na estrada será conectada.

Até agora, os recursos conectados foram lançados em modelos de luxo, mas isso provavelmente vai mudar. Os fabricantes de automóveis podem oferecer financiamento, descontos e outros incentivos a compradores com contrato de leasing em troca da possibilidade de coletar mais dados sobre o que fazem enquanto viajam em seus carros.

O veículo sempre conectado e com acesso a informações e serviços é, em certo sentido, a consumação do sonho de todo profissional de marketing: um público bem definido e relativamente cativo para exibição de propagandas e promoções específicas de produtos e serviços personalizados.

Imperativo preditivo

Mas serviços personalizados não são gerados do nada. Eles devem ser programados. E isso depende de uma série de variáveis, como localização, velocidade e temperatura do veículo; a telemetria operacional histórica e atual; as condições de operação; a duração da viagem até determinado ponto; a duração total projetada da viagem; e a quantidade de tempo desde que o veículo parou pela última vez. Estas informações devem, por sua vez, ser transmitidas, recebidas, processadas e analisadas antes que qualquer tipo de predição possa ocorrer.

“As empresas precisarão usar todos os dados que tiverem a oportunidade de coletar. Isso exigirá análises preditivas robustas para que possam tomar decisões realmente oportunas com base nos dados que estão obtendo”, diz Miller. Para muitas empresas, isso é fundamentalmente um novo tipo de tomada de decisão baseada em evidências — tomada de decisão que é persuasiva ou orientada para a ação, em vez de apenas relatar o que aconteceu.

Isso usa muita matemática e estatística. “Matemática, estatística e análise preditiva são assuntos que o SAS domina. Trata-se de um conhecimento adquirido em 40 anos de inovação e que resultou em uma variedade de ofertas de produtos de análise avançada específicos. Estamos posicionados de forma única para ajudar os fabricantes e outros players da indústria automobilística a terem esses dados sob controle, de modo que eles possam entender melhor os tipos de decisões que podem tomar com eles”, afirma.

“Todo o desenvolvimento de negócios e colaboração entre empresas sobre as quais falamos cria muitos pontos de dados. O desafio para essas empresas é como interpretar todos esses pontos de dados em benefício financeiro. Ao fazê-lo, as organizações automotivas avançam em seus objetivos de inovação e também em fazer negócios de maneira diferente com seus clientes”, explica Miller.

Esses dados, diz ele, serão usados para sustentar uma série de iniciativas críticas, como o desenvolvimento e monetização de novos modelos de negócios ou para o uso de produtos multimodais. Em termos práticos, ajudará os líderes de negócios a determinar quais marcas e modelos de veículos conectados serão equipados com os recursos conectados mais avançados. Insights preditivos permitirão que eles tomem decisões baseadas em valor com base em um entendimento detalhado dos dados. Isso é apenas o começo.

Conclusão

Se o veículo conectado, de fato, transformar a experiência de mobilidade de seus ocupantes, as previsões e percepções baseadas em evidências derivadas dos dados que ele produz transformarão todos os aspectos do negócio automotivo. Para citar apenas alguns exemplos, os dados melhorarão radicalmente a pesquisa e desenvolvimento (P&D) e o controle de qualidade, juntamente com o planejamento e a engenharia do produto. Insights preditivos serão totalmente úteis para melhorar as vendas e marketing, a experiência do cliente e atendimento e, não menos importante, o pós-venda.

Finalmente, a análise preditiva será um complemento essencial para proteger tanto a empresa quanto o próprio veículo conectado. “O outro grupo de negócios ou função que realmente tem que estar envolvido nas iniciativas de veículos conectados é a equipe de segurança corporativa. Eles precisam se preocupar com ataques cibernéticos e violações de sistema e dados. A segurança cibernética e o uso de análise preditiva para detectar, priorizar e responder a ataques serão críticos”, diz Miller.

Para o especialista do SAS,  os veículos conectados tornarão as estradas mais seguras e a experiência de motoristas e passageiros mais prazerosa. “Um ótimo exemplo de ação ligada ao monitoramento por vídeo é que alguns modelos de SUV premium fabricados hoje usam uma câmera no painel. Essa câmera está te observando enquanto você dirige, monitorando o comportamento e os movimentos do seu corpo. Se achar que você parece cansado ou se detectar algum comportamento de direção adverso, isso sugerirá uma intervenção, como parar para descansar ou tomar café”, ressalta Miller.

“Trata-se de ganhar dinheiro, e também de se sentir bem e ser relevante e de elevar o nível sobre como reagir ao que acontece fora e dentro do veículo. Se a experiência do cliente for boa, criará uma vantagem competitiva para os fabricantes de automóveis.”

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