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Analytics Economy exige mudar modelo mental e cultura corporativa

A tecnologia sozinha não faz milagres. Para tirar pleno proveito da economia dos dados, os CEOs precisam apadrinhar a mudança no jeito de pensar e agir das suas organizações

Estudos internacionais preveem que, até 2020, o volume de dados gerados no mundo deve superar a casa dos 40 zettabytes — ou 40 trilhões de gigabytes. Somente no Brasil, essa massa de dados deve atingir 1,6 bilhão de gigabytes nos próximos dois anos, de acordo com projeções da IDC.

Os dados, ressaltam especialistas, são o principal combustível da economia digital do século 21, na qual a tecnologia de analytics gera os insights necessários para realizar novos negócios e atender as exigências de consumidores hiperconectados.

As empresas que não se prepararem para esse novo cenário fluido, em que os dados circulam e mudam em tempo real, correm o risco de perder competitividade e perecer. Para o vice-presidente executivo e diretor de marketing global do SAS, Randy Guard, chegou a hora de abandonar o chamado “gut feeling” (intuição) e se apoiar nos dados e analytics para as tomadas de decisão.

Mas como levar a empresa inteira para esse novo comportamento movido a dados? Como os CEOs podem vencer os desafios de elaborar e executar suas estratégias de transformação digital? Esse foi o tema de uma animada conversa online entre Cassio Pantaleoni, presidente do SAS Brasil, e Paulo Pontin, Managing Partner da Verizon Latin America, que você pode assistir completa nesse link.

Os dados como Norte

“Nenhuma grande empresa jamais teria construído negócios de valor se seus executivos usassem somente a intuição no processo de tomada de decisão”, garante Pantaleoni. “Existem executivos que dominam muito bem o negócio e, por conta disso, têm boas intuições para conduzir a empresa. Mas com um universo tão grande de dados disponíveis hoje, basear a tomada de decisão única e exclusivamente na intuição é arriscado”, reforça.

Para Cassio Pantaleoni, os dados fornecem ao tomador de decisões um Norte, uma visão das tendências, que, muitas vezes, as análises intuitivas não alcançam. “Os dados podem revelar correlações não intuitivas, que acabam tendo um valor muito maior porque dizem respeito a coisas que acontecem no dia a dia e que projetam uma tendência.”

Por isso, ele enfatiza que confiar apenas na intuição acaba deixando uma lacuna no processo decisório. “A tomada de decisão deve se apoiar em uma análise muito profunda da história que os dados nos contam. Evidentemente que, a partir disso, o decisor pode lançar mão das suas intuições. Não creio que a intuição deva ser o elemento principal em uma decisão”, afirma ele.

Refinando os dados

Os dados são o novo petróleo, lembra Paulo Pontin, da Verizon, para explicar a importância que eles têm hoje para as empresas. O petróleo por si só não significa nada, diz Pontin. Seu valor é dado na medida em que as refinarias o transformam em combustível e seus derivados, que são o seu valor intrínseco. “Com os dados é a mesma coisa. As empresas precisam das análises, dos algoritmos e das estatísticas para alcançarem a inteligência do negócio.”

Mas não adianta coletar dados e depois não saber o que fazer com eles, observa Pontin. “A empresa precisa ter um processo muito claro sobre como vai coletar o dado e refiná-lo para transformá-lo em alguma gasolina.” Ele também não descarta a importância da intuição, mas ressalta que ela precisa andar junto com algoritmos, estatísticas, modelagem preditiva e prescritiva para que o tomador de decisões possa tirar o melhor proveito de tudo que foi coletado.

Caminho sem volta

Pontin diz que as empresas precisam entender que a transformação digital dos negócios já chegou. É preciso fazer o redesenho organizacional que permita incluir os dados para tornar seus negócios mais rentáveis e exponenciais. Elas também precisam estar dispostas a correr riscos para aproveitar uma oportunidade de mercado que pode aparecer e ser única. “Se pegarmos o modelo do Uber e muitas outras empresas, vamos verificar que tudo foi um risco.”

Pontin cita a loja física Amazon Go, como um exemplo do poder transformador dos dados. A loja nasceu como um experimento da constatação da Amazon.com de que o pesadelo dos consumidores era o checkout,  as filas. “Eles procuraram primeiro montar um modelo de negócio para eliminar as filas. Mas isso gerou um grande Big Data, já que os sensores, os recursos de machine learning e inteligência artificial permitiam entender os hábitos de todas as pessoas que entram e saem da loja. E como base nisso adotam ações adicionais.”

Mudança do mindset

O grande desafio da transformação digital dos negócios, na opinião de Pantaleoni, do SAS, é a mudança do mindset (modelo mental) corporativo, principalmente no Brasil. “Alterar a maneira de pensar e de conduzir os negócios é crucial para a transformação digital.” Segundo ele, um dos passos fundamentais para isso é envolver todas as pessoas da organização.

“As pessoas são o primeiro elemento que vai promover essa grande mudança de comportamento. Mas essa mudança de comportamento exige que os tomadores de decisão escutem mais as pessoas. Em vez de dizer o que deve ser feito, devem ouvir as histórias que vêm dos intuitivos, as histórias que vem dos analíticos, as histórias que os dados contam. Somente a partir disso é possível ter os insights necessários para tomar uma decisão mais robusta, mais definida”, explica.

Ouvir e agir

Mas de nada adianta ouvir as pessoas se a empresa não tiver processos analíticos, observa Pantaleoni. “Primeiro, a empresa precisa pegar uma circunstância que efetivamente se coloca como um desafio e perguntar que caminhos pode seguir. Daí, ela precisa preparar os dados de maneira que possam responder essa pergunta e fazer algum tipo de primeiro movimento de mineração e de análise para encontrar correlações, desenvolver modelos, testar se esses modelos realmente atendem àquilo que se imagina que devam responder e medir a performance na prática.”

Esse ciclo, segundo ele, tem que ser incorporado em todos os processos dentro da organização. “A organização orientada à economia analítica realmente tem que ter como prática ciclos bem estruturados de análise de dados, que chamamos de analytics life cycle no SAS”, diz.

A própria Verizon é um exemplo de empresa que passou e está passando por um processo de transformação digital, afirma Pontin. Segundo ele, muita gente ainda acha que a Verizon é uma operadora de telecomunicações, embora ela já tenha deixado de ter esse perfil há muito tempo.

Ele observa que a companhia hoje opera com conteúdo, publicidade online, streaming, segurança da informação, Internet das Coisas (IoT), Big Data, além de ter comprado o Yahoo no ano passado e a AOL em 2015. “A empresa se reinventou totalmente. E como ela conseguiu fazer isso? Pensando diferente, pensando fora da caixa, dando autonomia para as pessoas, delegando”, conta Pontin.

SERVIÇO

Assista online o programa CEO Talk completo, com Cassio Pantaleoni, presidente do SAS Brasil, e Paulo Pontin, Managing Partner da Verizon Latin America, clicando nesse link.

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